Resident Evil: Apocalypse

Paul W. S. Anderson é provavelmente um dos nomes mais criticados do cinema de entretenimento, só superado por Michael Bay. Pessoalmente sempre apreciei o seu trabalho atrás da câmara. Aceito-o pelo que é. Um realizador com limitações que nunca deslumbra, mas que é capaz de apresentar um filme de entretenimento puro e duro. E infelizmente, como se tem visto pelos recentes blockbusters de Hollywood, isso não é tão fácil como parece. “Mortal Kombat” e “Resident Evil” são filmes aceitáveis e bem-sucedidos no seu género. Até me atreveria a dizer que “Event Horizon” é um bom filme, ponto final! Mas claro que Anderson não tem perdão pelo desastre que foi “AVP” e por isso, cada vez que o seu nome vem à baila, não é pelas melhores razões. Mas depois de assistir a “Resident Evil: Apocalypse” estou ainda mais seguro da minha opinião quanto à sua carreira.
Alexander Witt é o realizador desta segunda parte da série e as coisas não podiam ter corrido pior. Não é surpresa que este seja até hoje o único crédito que tem atrás das câmaras. Não é um total desastre e as culpas das falhas não são apenas suas, mas a verdade é que o filme não tem rumo, personalidade ou energia e isso cai aos seus pés.
Há pouco a recomendar aqui. Witt e o guião conspiram para produzir um filme entediante, com personagens desinteressantes a ação “barata” que não provoca mais que um bocejo. O filme original tinha personagens como Rain ou Kaplan que ficam na memória e pelas quais o espectador torcia. Aqui temos finalmente personagens dos videojogos, mas que são tão mal aproveitadas e desenvolvidas que é impossível sentir algo quando estão em perigo. Jill Valentine passa o tempo a tomar más decisões e a ser salva da morte certa por Alice. Carlos Olivera… nem sei o que faz no filme para ser honesto.
O grande objetivo do guião é fazer Alice a estrela acima de tudo. Estamos em território “Mary Sue”. Alice é dura, sensível, imbatível, enfim perfeita. O que surpreende é o facto de Milla Jovovich não ter praticamente cenas no primeiro terço do filme. É uma incongruência. O que é que estavam a pensar?
A história é básica, sem intriga como no filme original em que havia incertezas quanto às lealdades de várias personagens e segredos para desvendar. Aqui temos uma longa série de cenas da ação mal filmadas com uma montagem atroz e apenas o mínimo de argumento para as ligar.
Tudo parece barato. O elenco é composto por atores de série B como Oded Fehr, o CGI parece pior do que no filme anterior, a banda sonora é genérica e o “gore” mínimo com grande parte da violência gráfica ausente e muitas mortes fora do ecrã.
A única coisa tolerável é o “Nemesis” que parece minimamente aceitável. Mas depois também isso é desperdiçado quando, provavelmente por questões de orçamento, as suas cenas são curtas e desapontantes. E claro, no fim leva uma tareia de Alice numa luta corpo a corpo de um minuto. Não, não estou a brincar.
É desapontante ver como o potencial do filme anterior foi desperdiçado aqui. Como eu já disse, fazer bom entretenimento não é tão fácil como parece. Não há melhor prova do que “Resident Evil: Apocalypse”.


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