Conan: The Barbarian
Um filme de aventura fantástico, baseado numa obra
inesquecível de Robert E. Howard e filmado de forma requintada.
Estamos nos primórdios da carreira de Arnold Schwarzenegger.
Nota-se alguma inexperiência e óbvia falta de talento contrabalançado pelo
carisma e magnetismo que enche o ecrã e o catapultou para uma carreira lendária
no cinema de ação. A sua imagem era perfeita para Conan. Arnold nasceu para
esta personagem, a arrogância natural, a confiança que exibe, tudo conspirou
para apresentar o “Conan” definitivo. John Milius traz à vida um mundo de fantasia, cru, violento,
selvagem, canaliza as palavras de Howard e transforma-as em imagens mágicas à
frente dos nossos olhos.
Para isso contribui uma banda sonora magistral, do melhor já
produzido até hoje. Basil Poledouris ganhou o seu lugar no panteão dos Deuses
com esta obra prima.
O roteiro brinda-nos com um vilão ameaçador, Thulsa Doom,
interpretado pelo senhor do cinema, James Earl Jones! Como não gostar deste
filme?
Os efeitos especiais são obviamente datados, mas isso só
adiciona ao charme.
Surpreendente é o desafio filosófico que Milius, coadjuvado
por Oliver Stone na escrita, traz ao espectador. A fita lida com temas como
religião, a manipulação dos crentes, das mentes frágeis, arrisco-me a dizer,
fracas e o poder do messianismo e o inerente perigo. De louvar também a
dicotomia entre o herói e o vilão. A sua relação simbiótica, como a vingança
molda e impele o herói, fazendo questionar a relação entre os opostos e o
contributo do mal para tudo em que nós nos tornamos. Levantar semelhantes
questões num filme como "Conan: O Bárbaro" é digno de elogio e a prova de que,
seja qual for o género, a arte vem sempre ao de cimo.
Por Crom, estamos perante um clássico!





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