The Curious Case of Benjamin Button


























Não uso esta palavra de forma leviana ou displicente. David Fincher é um génio atrás da câmara e um dos melhores, senão o melhor realizador vivo.
“The Curious Case of Benjamin Button” é apenas mais uma prova, se tal ainda fosse preciso, da sua mestria. Planos simples, mas de uma beleza mágica, cenas que se assemelham a pinturas com um uso de cor e sombra sensacional. É um regalo para a vista, sendo imperioso também referir o magnifico trabalho na fotografia de Claudio Miranda.
Este triunfo técnico é alicerçado por um guião de uma sensibilidade singular. Benjamin Button é um hino à vida. Com sobriedade e tranquilidade, fugindo ao sentimentalismo exacerbado, oferece-nos uma lição, lidando com dignidade e respeito com temas como a morte, a velhice e como sempre no cerne das relações humanas, o amor.
Traz-nos uma mensagem de esperança, mas brinda-nos também com um realismo cru, difícil de suportar. Com um leque de personagens dotado de figuras marcantes consegue pintar as várias etapas da existência, a dor e o sofrimento, mas sempre com otimismo e até alguma inocência contagiante.
É um filme longo, mas que mesmo assim teria beneficiado de mais algum desenvolvimento nas várias personagens, algumas das quais se eclipsam no decurso da história e mesmo alguns “arcos” que não têm a devida atenção. É, todavia, compreensível e com uma duração de quase três horas, não se pode exigir muito mais.
As representações são competentes. A palavra é propositada e revela algum défice que tendo sido suprido teria elevado esta obra ao patamar seguinte. Aprecio desde sempre Brad Pitt, no entanto, e embora até tenha assegurado uma nomeação para os “oscars”, sendo o valor de tal distinção hoje em dia discutível, Benjamin merecia um ator de outro calibre. É uma representação “simples”, sem exageros, humana, mas a roçar o pedestre. Cate Blanchett cumpre, sendo impossível mesmo assim, não apontar a ausência de química entre o par.
Nada é perfeito.
Não obstante estamos perante uma obra cinematográfica distinta. O futuro está por escrever, esperando a nossa pena que com as nossas lágrimas, de riso ou choro, irá preencher as suas páginas. Cada segundo aproxima-nos do final. Aí só resta deixarmo-nos ir, serenos, curiosos até. Mas, até lá, viver depende de nós.

    

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